
Às 10h30, meia hora antes de o Bom Prato Móvel começar a distribuir as marmitas, os primeiros usuários já chegam à praça Recanto Verde, no Tremembé, zona norte da capital paulista. Na espera, a conversa corre solta e o papo ganha novos capítulos. Há quem more nas proximidades e esteja desempregado, quem precise economizar e quem aproveite o intervalo do trabalho para garantir o almoço. Para todos eles, o serviço significa uma refeição completa por apenas R$ 1: alimento saudável, praticidade e economia.
Integrante do programa de segurança alimentar Bom Prato, do Governo do Estado de São Paulo, o Bom Prato Móvel funciona desde 2021 e leva refeições a regiões mais distantes e de difícil acesso. Hoje, são 49 caminhões, e cada um deles distribui, em média, 300 marmitas por dia, de segunda a sexta-feira. Cada veículo permanece quatro meses em um mesmo endereço, o que garante o rodízio e amplia o atendimento a diferentes localidades.
No Tremembé, o caminhão vinculado à unidade do Tucuruvi está instalado há duas semanas e já faz parte do cotidiano de moradores e trabalhadores da região.
É o caso da aposentada Agmar Pinto Ribeiro, que mora perto do ponto de atendimento e retira o almoço todos os dias. Como vive sozinha, ela encontrou no serviço uma forma de economizar tempo e dinheiro sem abrir mão da variedade no cardápio e da qualidade da alimentação.
“Ganho tempo e gasto bem menos do que se eu preparasse minha comida em casa. Além disso, os pratos são bem variados e, na quarta-feira, tem feijoada, que é uma delícia”, conta.
Aos 76 anos, Agmar também valoriza o acesso diário a uma refeição equilibrada, de qualidade e a preço acessível. “Tenho colesterol alto, pressão alta e hipotireoidismo, e uma comidinha fresca e saudável é sempre muito bom”, afirma.

Para o motorista de ônibus Amilton de Almeida, a localização é o grande atrativo: o caminhão fica no ponto final da linha em que ele trabalha. Assim, consegue retirar a marmita e almoçar durante a pausa.
“É só estacionar e aproveitar o intervalo para retirar a marmita e almoçar essa refeição completa por um preço muito barato”, relata.
Sem o serviço por perto, Amilton precisava levar comida de casa, mas nem sempre conseguia se organizar para prepará-la. Ele também aprova o tempero, especialmente por precisar cuidar da saúde. “A comida podia ter mais sal, mas aí eu me lembro das broncas do meu médico e acho que é melhor um tempero mais natural e leve”, afirma.
As refeições distribuídas pelos caminhões são preparadas nas unidades fixas do Bom Prato e seguem o mesmo padrão de cardápio dos restaurantes: arroz, feijão, proteína, guarnição de legumes, vegetais ou tortas, salada e sobremesa.
Depois de prontas, as marmitas são transportadas em embalagens de alumínio, acondicionadas em caixas térmicas, as chamadas hot boxes, que ajudam a manter a temperatura e garantem as condições adequadas de conservação durante o trajeto.
Os pontos de atendimento são definidos com base na vulnerabilidade social da população e na distância até a unidade fixa responsável pelo abastecimento. Pela regra da operação, os locais atendidos ficam a, no máximo, 30 minutos de deslocamento do restaurante de referência.
Para Gisele Mazolini, gerente do Bom Prato Tucuruvi, levar o serviço aos bairros mais distantes exige trabalho coordenado entre diversas áreas. “Para colocar essa operação funcionando, existe planejamento, organização e logística que garantem que as refeições cheguem com qualidade e segurança à população que mais precisa”, afirma.
Com o modelo itinerante, o Bom Prato Móvel amplia o alcance do atendimento e leva refeições a quem enfrenta dificuldades de deslocamento ou precisa conciliar o almoço com a rotina de trabalho.
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