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Polícia FUNK DA DISCÓRDIA

Morte de barbeiro que bateu moto em viatura da PM é investigada;família acusa policiais

O Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Copom) foi informado "em tempo real" para que fosse realizado o cerco policial. A situação, segundo a corporação, colocou em risco a vida dos envolvidos e dos pedestres

05/04/2023 às 07h35
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
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O barbeiro Christian Bonifácio da Silva morreu ao bater moto contra viatura/Foto:Reprodução/BOM DIA
O barbeiro Christian Bonifácio da Silva morreu ao bater moto contra viatura/Foto:Reprodução/BOM DIA

O barbeiro Christian Bonifácio da Silva, de 24 anos, morreu após bater sua a moto em uma viatura da Polícia Militar (PM), em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo. A família da vítima diz que os policiais "jogaram o carro" para cima do rapaz ao tentarem abordá-lo na saída de um 'pagode'. A corporação, por sua vez, relatou uma colisão frontal entre a motocicleta e o veículo policial.

 

 

O caso aconteceu na Avenida Ministro Marcos Freire, no bairro Nova Mirim, no último sábado (1). Na ocasião, Christian estava com um amigo, de 20 anos, na garupa da moto. Após o choque com o carro, o barbeiro foi levado ao Hospital Irmã Dulce, no mesmo município, mas não resistiu. Ele teria sofrido politraumatismo e hemorragia. O colega dele também foi socorrido e levado à unidade de saúde, mas se recuperou e já recebeu alta.

 

 

Larissa Bonifácio Silva, de 21 anos,irmã do barbeiro, revoltada, diz que os rapazes passaram a ser "perseguidos pelos policiais" após deixarem um pagode no mesmo bairro do suposto atropelamento. "Na frente do local em que eles estavam tinha um pessoal que não gosta de pagode e coloca caixas de som, como em um baile funk. Estava ficando muito movimentado e o meu irmão quis se retirar", disse.

 

 

"Quando a viatura começou a segui-los, bateu na traseira da moto e [os policiais] disseram: 'Para que a gente vai te matar'. Meu irmão ficou em choque e acelerou. Ele entrou pela contramão porque estava desesperado e 'colidiu' com outro carro policial, acionado para apoio.

 

Com base no relato do garupa, a irmã contou que os policiais teriam dito: "A pancada não foi para 'dar susto', foi pra matar mesmo", disse Larissa.

 

 

NEGLIGÊNCIA - A família de Christian também acusa os policiais militares envolvidos na situação de negligência após o suposto atropelamento. De acordo com a irmã do rapaz, que conversou com o amigo dele também acidentado, os agentes demoraram para pedir socorro.

 

 

Segundo Larissa, o rapaz teria sofrido uma lesão na clavícula e um corte na cabeça. Sobre a acusação de negligência para socorrer os jovens, a PM informou que imediatamente acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levou a dupla ao Hospital Irmã Dulce.

 

 

A mulher disse também que, antes de "viver o luto", a família quer ver justiça no caso de Christian. "Estamos revoltados e tristes", desabafou ela.

 

 

"Primeiro, queremos justiça. Depois, vamos sofrer. No futuro vamos sentar, arrumar as coisas dele ver o celular [do rapaz] com calma. Vamos sofrer depois de fazermos justiça. Assim, ele vai descansar em paz", finalizou.

 

 

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que os policiais militares estavam em patrulhamento quando viram dois homens (Christian e o amigo) parados ao lado de uma motocicleta com o pisca alerta ligado. Segundo a SSP-SP, os agentes teriam dado sinal de parada para abordagem, mas a dupla fugiu na sequência.

 

 

Ainda de acordo com a secretaria, o acidente aconteceu quando a dupla entrou na contramão da avenida mencionada. "Colidiu de frente com uma outra viatura da PM [em relação à que os estava perseguindo], que foi acionada para prestar apoio".

 

 

A SSP-SP informou que os rapazes caíram da moto com o choque e foram "prontamente socorridos ao hospital". Segundo a corporação, a perícia foi acionada e o caso foi registrado como colisão e comunicação de óbito na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande.

 

DIZ A PM - A Polícia Militar, por meio de nota, confirmou as informações enviadas pela SSP-SP e acrescentou que, durante a perseguição, os agentes usaram "sinais sonoros e luminosos" na intenção de abordar os jovens. A ordem de parada não teria sido obedecida.

 

 

Ainda de acordo com a PM, o Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Copom) foi informado "em tempo real" para que fosse realizado o cerco policial. A situação, segundo a corporação, colocou em risco a vida dos envolvidos e dos pedestres.

 

 

"Após um intenso acompanhamento, os indivíduos [os jovens] colidiram frontalmente com uma viatura que estava em deslocamento para apoio ao cerco policial. Com a colisão, os indivíduos foram lançados do veículo, sofrendo lesões de natureza grave pelo corpo", apontou a PM.

 

 

A Polícia Militar alegou, ainda, que os pertences dos jovens foram entregues ao próprio Hospital Irmã Dulce. A motocicleta teria sido encaminhada ao pátio municipal de Praia Grande.

 

 

A direção do Hospital Irmã Dulce, por meio de nota, informou não ter autorização da família de Christian para enviar mais detalhes. A unidade de saúde confirmou o acidente e informou que o barbeiro morreu às 7h30 do último dia 2 de abril, com o amigo dele tendo recebido atendimento médico e alta.

 

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