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Morador de PG leva engenharia para exposição inédita sobre transformações da vida

“Estado Transiente” será aberta neste sábado (12), na Galeria de Artes Nilton Zanotti

11/09/2026 às 15h38
Por: Redaçâo Local Fonte: Prefeitura de Praia Grande - SP
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Praia Grande recebe, a partir deste sábado (12), às 15h, a exposição “Estado Transiente”, primeira mostra individual do artista visual Renan Alves, morador da Cidade há 22 anos. Com entrada gratuita, a abertura acontece na Galeria de Artes Nilton Zanotti, localizada no interior do Palácio das Artes. Para quem não puder acompanhar a inauguração, a montagem poderá ser visitada por moradores e visitantes de 15 de setembro a 12 de outubro, sempre de terça a sexta-feira, das 14h às 17h, exceto em feriados e pontos facultativos.

 

Com curadoria de Marina Bortoluzzi, a mostra parte da formação e da trajetória profissional de Renan na engenharia para estabelecer uma relação entre a mecânica dos fluidos e a experiência humana. O conceito que dá nome à exposição representa um momento de transição entre diferentes estados de um fluido, referência que o artista associa à própria condição humana, marcada por mudanças, escolhas, memórias e influências externas.

 

“Na época em que eu trabalhava com engenharia, tive contato com uma disciplina mais específica, chamada Mecânica dos Fluidos, um estudo que indica que um fluido nunca está totalmente estático ou parado. Ele sofre transformações a partir de fatores externos e também de suas propriedades naturais. E o ser humano também é assim”, explica Alves, de 33 anos.

 

Ao todo, são 12 obras de linguagem visual e abstrata, distribuídas pelos espaços da Galeria. Linhas, curvas, cordas e movimentos aparecem como elementos centrais da produção e representam o fluxo da vida, enquanto nós e cruzamentos remetem a pontos de decisão, encontros, tensões e possibilidades capazes de alterar o rumo de uma trajetória.

 

Utilizando da expertise na engenharia mecânica, a pesquisa do artista ultrapassa os limites tradicionais da pintura e explora a tridimensionalidade por meio de materiais como tinta acrílica, cordas náuticas, aço galvanizado, azulejos e papel. A corda, um dos elementos mais presentes na exposição, também estabelece uma ligação com a vivência de Renan na área portuária.

 

Entre os trabalhos está “des-ÁGUA”, painel de aproximadamente 10 metros de extensão formado por cordas azuis. A exposição também apresenta obras como “Impermanência”, “Sobreposição” e “Esquinas-Encontros”, além da série “Cicatrizes”, produzida sobre azulejos fragmentados. A trajetória culmina na instalação “Quando o plano cede”, formada por cordas suspensas e ancoradas na estrutura da Galeria, com objetivo de proporcionar uma rica experiência visual.

 

A relação entre ordem e caos também atravessa a exposição. O conceito parte dos regimes de escoamento laminar, marcado pela continuidade e pelo ordenamento, e turbulento, caracterizado pela instabilidade e pela desordem. Entre eles está o estado transiente, entendido como um ponto de inflexão em que a matéria está em transformação.

 

Para o idealizador da obra, essa ideia também pode ser aplicada à vida. “Se eu pudesse deixar uma pergunta para a pessoa, uma pergunta sem resposta, seria: quais foram os fatores que me levaram a ser a pessoa que sou hoje? Quais foram os fatores predominantes que fizeram de mim o que eu sou?”, questiona.

 

A proposta é que o visitante não apenas observe as obras, mas também reconheça nelas fragmentos da própria trajetória. A exposição convida o público a refletir sobre as escolhas, experiências e acontecimentos que interferem no caminho de cada pessoa e sobre a impossibilidade de permanecer sempre no mesmo estado. “É como se fosse uma análise mesmo. O indivíduo pode olhar para a própria trajetória, entender o que move a sua vida e perceber que a nossa existência é uma transformação constante”, completa o responsável pela concepção.

 

O público também poderá acessar, por meio de QR Code disponível na Galeria, a leitura em áudio do texto curatorial de Marina Bortoluzzi.

 

Segundo o secretário de Cultura e Turismo de Praia Grande, Mauricio Petiz, a exposição também evidencia a importância do Palácio das Artes como espaço de incentivo à produção cultural local. “É sempre um prazer receber os moradores da Cidade e acompanhar de perto suas diferentes manifestações artísticas. O papel do PDA é justamente oferecer esse espaço, de forma gratuita, para que novos talentos possam apresentar suas produções e aproximá-las da população”, destaca Petiz.

 

Sobre Renan Alves- Artista visual nascido em São Paulo, em 1993, e radicado em Praia Grande. Com mais de uma década de experiência no segmento da engenharia mecânica, leva conceitos como estrutura, fluxo e movimento para sua produção artística abstrata. Autor de diversas obras e mais de 200 murais pelo Brasil, já teve trabalhos apresentados em espaços como CASACOR Brasil e Casa & Jardim, além de integrar o time de artistas da Starbucks Brasil. Sua pesquisa é influenciada pela observação de fenômenos naturais, como o movimento da água, das nuvens e da fumaça, explorando a relação entre caos, harmonia e equilíbrio.

 

Marina Bortoluzzi – Curadora de arte e pesquisadora contemporânea, nascida em Florianópolis, em 1983, e residente em São Paulo há mais de 16 anos. Mestre em Estética e História da Arte pela USP, possui mais de 15 anos de experiência em pesquisa, curadoria, mentoria e projetos culturais. Atua internacionalmente e já assinou exposições no Brasil, Rússia, Alemanha e Estados Unidos. É fundadora do WOW – Women on Walls e do Spiritual in Art, iniciativas voltadas à valorização de mulheres e pessoas não binárias nas artes visuais e à pesquisa sobre espiritualidade na arte.

 

Programação de aniversário –Além de “Estado Transiente”, o mês de aniversário de 18 anos do Palácio das Artes também é celebrado com outras exposições que ocupam diferentes espaços do Complexo Cultural.

 

No Hall Superior Prof. Osmário Barreto, “18 Anos em Cena” revisita a trajetória do Palácio das Artes por meio de fotografias de eventos e momentos que marcaram a história do espaço desde sua inauguração. A mostra, preparada especialmente para a comemoração, segue até 30 de setembro.

 

A memória e a identidade de Praia Grande também ganham espaço no Museu da Cidade com “Semana da Pátria”. Organizada pela equipe do Museu, a exposição reúne registros históricos e desenhos produzidos por alunos do 1º ao 5º ano da rede municipal de ensino, que apresentam diferentes olhares das crianças sobre o Brasil. A visitação segue até 30 de setembro.

 

Ainda no Hall Superior Prof. Osmário Barreto, “O Tempo das Aquarelas”, de Luiz Carlos Gonçalves Tinoco (Lee Tinoco), apresenta 13 pinturas que transformam cenas do cotidiano em paisagens delicadas e cheias de detalhes. Barcos, flores, pessoas e casas aparecem nas obras do artista, morador de Praia Grande, que expõe pela primeira vez no Palácio das Artes. A exposição permanece em cartaz até 30 de setembro.

 

Já no Hall de Entrada, “Imersão”, de Bruno Badaró, propõe um olhar sobre os efeitos da presença cada vez maior da tecnologia na vida cotidiana. Realizada por meio da Lei Paulo Gustavo, a exposição coloca elementos naturais em diálogo com referências do universo digital para discutir temas como conexão, isolamento, presença e ausência. A montagem pode ser visitada até 23 de setembro.

 

Visitação –A Galeria de Artes Nilton Zanotti, o Hall de Entrada, o Hall Superior Prof. Osmário Barreto e o Museu da Cidade ficam dentro do Palácio das Artes, na Avenida Presidente Costa e Silva, 1.600, no bairro Boqueirão. A visitação é gratuita e acontece de terça a sexta-feira, das 14h às 17h, exceto em feriados e pontos facultativos.

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