
Os cardiologistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo reforçam a importância de aferir a pressão regularmente. A checagem deve ser adotada pela população em geral – crianças, adultos e idosos -, principalmente pessoas obesas e tabagistas. A verificação ajuda a identificar alterações relacionadas à hipertensão, quadro que aumentou 31% no Brasil entre 2006 e 2024, de acordo com dados da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2025. Para conscientizar sobre a importância de combater e prevenir o problema, 26 de abril é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.
A hipertensão é uma doença causada pelo aumento da pressão sanguínea nas artérias. A condição é o principal fator de risco para doenças que podem comprometer o coração, o cérebro e o sistema vascular, como: infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e endurecimento e estreitamento de vasos sanguíneos (aterosclerose), além do surgimento de bolhas de sangue em veias do cérebro (aneurisma). O quadro é crônico, assintomático, que pode levar à morte, caso não seja tratado. Estão mais suscetíveis ao problema: idosos, obesos, sedentários, tabagistas e consumidores de bebidas alcoólicas.
O cardiologista do Iamspe Dr. Rui Póvoa fez parte do grupo de especialistas na saúde do coração que reclassificaram a categoria de pré-hipertensão no Brasil, em 2025. A partir de setembro do ano passado, pessoas com pressão arterial acima de 13 por 8 (130-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica) são categorizadas como a um grau de desenvolver a doença.
“O hipertenso mascarado é o paciente com a aferição arterial medida no consultório abaixo de 14 por 9 (140 mmHg sistólica e/ou 90 mmHg diastólica), mas acima desses valores, fora do espaço médico. Essa condição expõe o indivíduo a todos os riscos que o quadro oferece ao organismo humano”, explica.
O diagnóstico de hipertensão permanece o mesmo, pessoas com pressão arterial igual ou acima a 14 por 9 (140 mmHg sistólica e/ou 90 mmHg diastólica). Indivíduos em ótimas condições físicas têm índices menores do que 12 por 8 (120 mmHg sistólica e/ou 80 mmHg diastólica).
Os longos períodos em frente às telas propiciam ainda mais o sedentarismo, facilitando o consumo excessivo de alimentos, principalmente os ultraprocessados, e por consequência o aumento de peso e da pressão arterial. “Hoje a diversão está nas telas. As brincadeiras com atividade física, como correr no campinho e o pique-esconde, estão cada vez mais raras. Essa mudança no comportamento facilita o quadro. Os índices de obesidade infantil estão aí para indicar esse cenário”, comenta.
São recomendações para evitar e prevenir a hipertensão:
• Comer menos sal e gordura
• Evitar o consumo de álcool
• Realizar atividades físicas com frequência
• Ter boas noites de sono
Devem ter cuidados redobrados com a saúde diabéticos, além de pessoas com apneia do sono e quadro de dislipidemia, pois as comorbidades podem desencadear ou piorar o quadro de hipertensão. Caso a pressão arterial permaneça acima dos índices definidos como ideais, o tratamento medicamentoso deve ser iniciado com acompanhamento médico.
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