
A Defesa Civil do Estado de São Paulo completa 50 anos neste mês. Nos últimos anos, a corporação atuou em grandes eventos climáticos e incorporou ferramentas tecnológicas para aprimorar o trabalho e responder de forma mais rápida. Em entrevista ao podcast SP Pod, da Agência SP, o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Araújo Monteiro, destacou que os avanços tecnológicos têm sido fundamentais para tornar o sistema mais eficiente diante de eventos climáticos cada vez mais extremos.
“Temos investido muito em tecnologia e monitoramento para melhorar a previsão, a resposta e, principalmente, a prevenção. Isso faz diferença na hora de salvar vidas”, afirmou.
Um dos episódios mais desafiadores foi a tragédia em São Sebastião, no litoral norte, durante o carnaval de 2023. A operação mobilizou equipes por semanas em um cenário de destruição, com vias bloqueadas, dificuldade de acesso e necessidade de resgate por ar e mar. Segundo o coronel, a complexidade da ocorrência exigiu atuação contínua e integração entre diferentes forças. “Foram dias muito intensos. A gente não dormia, porque queria levar o quanto antes socorro e conforto para as pessoas”, relembrou.
Além da atuação no estado, a Defesa Civil paulista também integrou a força-tarefa nacional que atuou nas enchentes históricas do Rio Grande do Sul em 2024. Equipes foram deslocadas para regiões críticas, auxiliando na montagem de abrigos, na distribuição de doações e na logística de acesso a áreas isoladas. “Se você não fizer a gestão adequada das doações, isso pode virar uma segunda tragédia. É preciso organização para que tudo chegue a quem precisa”, explicou.
No mesmo ano, o estado de São Paulo enfrentou ainda uma das mais intensas temporadas de incêndios, com mobilização de cerca de 10 mil profissionais e mais de 20 aeronaves atuando simultaneamente no combate às chamas. Para lidar com cenários cada vez mais complexos, o governo paulista tem ampliado o uso de soluções tecnológicas. Entre os destaques está o sistema Cell Broadcast, que permite o envio de alertas diretamente aos celulares de pessoas em áreas de risco, sem necessidade de cadastro.
“Hoje, quem está na área de risco recebe o alerta imediatamente. Isso aumenta muito a capacidade de prevenção”, afirmou Monteiro.
O Estado também investiu na ampliação da rede de radares meteorológicos , no monitoramento de áreas com risco de incêndio e em ferramentas de mapeamento que identificam regiões vulneráveis a deslizamentos e alagamentos.
Outro avanço importante foi a estruturação das Defesas Civis municipais. Atualmente, os 645 municípios paulistas contam com coordenadorias próprias, o que permite respostas mais rápidas e descentralizadas.
“A Defesa Civil começa no município. Quando a base está fortalecida, todo o sistema responde melhor”, destacou o coordenador.
Com 50 anos de atuação, a Defesa Civil de São Paulo tem adaptado sua estrutura para enfrentar um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos mais frequentes. A combinação entre tecnologia, planejamento e integração entre os entes públicos tem sido o principal caminho para reduzir impactos e proteger a população.
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