Um talk-show conduzido por Rita Lee onde ela entrevista Dr. Alex, o principal personagem do livro escrito pela própria cantora. A encenação da história da ativista de direitos humanos Maha Mamo que deixou de ser apátrida até receber o visto de nacionalidade brasileira. Essas foram algumas das ações promovidas pelos alunos da EM Ronaldo Sérgio Alves Lameira Ramos (Bairro Sítio do Campo), nesta quinta-feira (30). As ações fizeram parte da Mostra do Página a Página promovida pela unidade.
A esquete em formato de programa de entrevista e a peça teatral foram algumas das ferramentas utilizadas pelos professores para despertar o protagonismo dos alunos. Para isso, os docentes prepararam três apresentações que ocorreram cada uma em uma sala. Além dos trabalhos inspirados nos livros “Dr Alex” e “Maha Mamo: A Luta de uma Apátrida Pelo Direito de Existir”, a obra literária “O Pequeno Príncipe” também foi escolhida.
Em uma sala, Rita Lee ganhou vida ao ser encenada por uma das alunas. Na história, a rainha do rock nacional entrevistava Dr. Alex, personagem principal do seu livro. No bate-papo, a dupla conversava sobre as empresas que utilizam animais como cobaias e testam os produtos nos bichos. Esse é o enredo da obra literária escrita pela cantora e distribuída aos estudantes por meio da maleta do Página a Página.
De forma simultânea, em outro ambiente da escola, o professor de língua portuguesa Demétrius Goldstein Guedes preparou os alunos para realizarem um verdadeiro espetáculo. O grupo transformou o espaço de leitura em um anfiteatro onde encenaram a vida e obra de Maha Mamo. Filha de sírios e nascida no Líbano, a agora brasileira, viveu anos sem registro e identidade por ser apátrida.
Os alunos contaram a trajetória de vida da protagonista do livro. Ela e os irmãos não tinham nacionalidade. A peça, assim como a obra literária, detalhou os contratempos vividos por Maha Mamo desde a infância em Beirute, até a vinda para Belo Horizonte, em 2014, até conquistarem o direito de existir. Seu ativismo e atuação como palestrante global contribuíram para importantes mudanças nas leis do Brasil e de outros países.
Além das apresentações teatrais, os alunos fizeram a exposição dos trabalhos produzidos que também foram baseados nas obras literárias do Página a Página. Professora de língua portuguesa, Regiane Tavares Silva destacou o protagonismo dos estudantes. “Eles escolheram os livros que seriam trabalhados. Depois, de forma interdisciplinar, começamos a dar vida a tudo que seria preparado até chegarmos no que vemos hoje”.
Para a professora de história, Nádia Analy Araújo Silva, o programa Página a Página se tornou uma importante ferramenta não só de acesso à leitura, mas à cultura também. “Alguns alunos não teriam condições de comprar um livro pelo valor não ser acessível. Quando a Secretaria adquire esse material e distribui de forma homogênea, os estudantes passam a ter em mãos algo que de outra maneira não seria possível”.
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