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Cidades ACIDENTE NA CRECHE

Bebê tem dois dedos decepados por extintor de incêndio em creche;pais cobram responsabilidade

O acidente aconteceu dentro de uma creche assistencial no Morro do São Bento, em Santos, no litoral sul de São Paulo. A mãe de Pedro Santos disse que, após o acidente, as professoras chegaram ao hospital com um saco de gelo e os dedos do filho dentro - o menino segue internado

21/04/2023 às 11h24 Atualizada em 21/04/2023 às 11h59
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
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Extintor despenca da parede e decepa dois dedinhos do bebê que engatinhava no local/Foto:Reprodução/BOM DIA
Extintor despenca da parede e decepa dois dedinhos do bebê que engatinhava no local/Foto:Reprodução/BOM DIA

A queda de um extintor de incêndio sobre o pezinho de um bebê de 1 ano e 1 mês decepou dois dedos dele. O acidente aconteceu dentro de uma creche assistencial no Morro do São Bento, em Santos, no litoral sul de São Paulo. A mãe de Pedro Santos disse que, após o acidente, as professoras chegaram ao hospital com um saco de gelo e os dedos do filho dentro - o menino segue internado. Embora tenha ocorrido na terça,18, somente agora foi divulgado.

A atendente Daniela Lima, de 26 anos, contou que deixou o filho na creche Tia Edna por volta das 7h10 da última terça,18, deixou a filha na escola ao lado e retornou para casa, mas foi surpreendida com uma ligação depois de aproximadamente de 30 minutos. Por telefone, foi informada de que Pedro havia sofrido um acidente e seria encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Segundo o g1, a mãe não sabia da gravidade do caso. "Acordei meu marido e, quando a gente estava saindo de casa, ligaram falando que ele [Pedro] foi para a Santa Casa. Não imaginava a gravidade do caso. Quando cheguei [ao hospital] vi o desespero do meu filho. Eu não assimilei nada", disse.

Daniela disse ter sido informada do ocorrido por um médico, assim que o filho foi levado para cirurgia. O profissional contou que um extintor despencou da parede e atingiu o pé de Pedro, que estava engatinhando. "Dois dedos amputados e o do meio prejudicado. Na sala do berçário tinham dois extintores em uma distância mínima do tatame onde eles ficam brincando", disse.

A mãe disse que o acidente foi tão grave que dava para ver o osso do pé de Pedro. "O médico ortopedista explicou que meu filho vai ficar internado por tempo indeterminado até a cicatrização do pé. Não tem previsão de alta porque corre risco de pegar infecção, necrosar, [então] vai passar por outra limpeza cirúrgica".

"Graças a Deus meu filho está vivo. O ortopedista falou que, se fosse na cabeça, estaria morto porque teria esmagado a cabeça dele", afirmou.

'Justiça vai ser feita'

De acordo com a mãe, a escola se solidarizou e ofereceu ajuda. "Eles poderiam ter evitado isso antes. Nada do que eles ajudarem, falarem, prestarem alguma solidariedade vai apagar meu dano psicológico, não vai apagar o dano físico do meu filho, o sofrimento e tudo que estou vivendo nesse momento", desabafou a mãe.

"Foi meu filho, mas poderia ser o de outra pessoa. Meu filho está vivo, mas poderia estar morto. Deixei ele perfeito e encontrei ele em uma cama do hospital, sem os dedos do pé e passando por uma situação difícil. [...] as providências a gente vai procurar tomar, [mas] valor nenhum no mundo vai ressarcir, suprir e apagar tudo que nos causou", disse.

O jornalista e pai de Pedro, Kleber Santos, de 42 anos, disse que enquanto o filho estiver internado a maior preocupação será com a criança, mas que as responsáveis pela creche já estão cientes de que a 'Justiça vai ser feita'.

"Indenização vai ter que ser dada. Não sei qual valor, mas qualquer valor que seja dado não vai por os dedos de volta no pé do meu filho. É uma marca que toda vez que eu olhar para o pé dele vou me lembrar. É uma marca eterna. A prioridade é meu filho, mas falei para ela [dona da creche] que isso não vai ficar impune, que foi negligência", disse ele.

Após o acidente, Kleber foi até a creche buscar os objetos do filho na escola e verificou a posição em que os extintores estavam. "Sou leigo [no assunto], mas em uma sala de aula que só tem bebês era ponto [poderia] ocorrer um homicídio ali".

Em depoimento à polícia, o pai relatou como estava o local do acidente e somente após isso foi solicitada uma perícia na creche.

"Se o próprio Corpo de Bombeiros tinha dado um lado que o extintor tinha que ficar ali, hoje todas as salas [estão] sem nenhum extintor mais. Ou ela [dona da creche] tirou por conta própria ou foi orientada. Precisou acontecer isso com meu filho para que fossem retirados".

DIZ A ESCOLA - Em nota, a gestora da creche Edna Souza lamentou o ocorrido. "Sentimentos muito a dor da criança e de seus familiares. Justamente um equipamento de segurança, inserido na escola para resguardar vidas, nos pregou a triste peça".

Segundo ela, o Instituto Professora Edna Souza, responsável pelo Núcleo de Recreação Infantil e Creche Tia Edna, atua no Morro do São Bento há 25 anos e jamais houve incidentes de quaisquer naturezas. "Somos uma entidade assistencial que visa cuidar, amar e educar crianças de 1 ano aos 4 anos e 11 meses".

De acordo com Edna, a unidade tem laudos Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), certificados de habilitação de funcionamento.

DIZ A PREFEITURA - Em nota, a Prefeitura de Santos esclareceu que a creche Tia Edna é uma entidade privada, que é subvencionada pelo município para atender alunos da educação infantil.

De acordo com a administração municipal, a secretaria municipal de Educação está acompanhando o caso junto à direção da creche, que garantiu o atendimento da criança e está com autorização válida para o funcionamento.

Por fim, a Prefeitura disse que a fiscalização acerca dos extintores de incêndio é de responsabilidade do Corpo de Bombeiros. A corporação, no entanto, disse que é dever da administração municipal fiscalizar, pois eles apenas emitem o laudo da vistoria.

SECRETARIA DE SEGURANÇA - Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Estado de São Paulo (SSP-SP) disse que uma criança de 1 ano ficou ferida em um acidente, ocorrido na última terça-feira (18), em uma creche, no Morro de São Bento, em Santos.

O caso foi registrado como lesão corporal no 1° Distrito Policial (DP) de Santos. A responsável pelo menor foi orientada quanto ao prazo para representação criminal, por se tratar de crime de ação penal condicionada.(com informações do g1).

 

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