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Caranguejo raro, de cor azul, é encontrado à beira mar por guarda-vidas;estava bravo

A espécie se apresenta em outras cores e está entre as aquelas sob risco de extinção;vender o animal pode gerar multa de até R$ 5 mil por unidade

28/02/2023 às 06h30
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
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O caranguejo azul, elegante, passeava à beira mar até ser capturado para sua proteção/Foto
O caranguejo azul, elegante, passeava à beira mar até ser capturado para sua proteção/Foto

Um caranguejo azul, andando na beira do mar em Santos, no litoral de São Paulo, foi encontrado por uma guarda-vidas. Segundo biólogos o animal é da espécie Cardisoma guanhumi, conhecido como caranguejo da terra, uma espécie que se encontra em perigo de extinção e que não costuma aparecer nas praias da região. Vender o animal dessa espécie pode gerar multa de R$ 5 mil por unidade.

A guarda-vidas Roberta Alessandra Oliveira, de 43 anos, encontrou o animal por volta das 7h30 de quinta,23, na praia da Pompeia. Ela disse que o caranguejo estava agitado e tentou fugir quando ela se aproximou dele. “Ele era rápido,então, eu tive que usar a minha nadadeira e o chinelo, para conter as garras dele”, contou.

A guarda-vidas ainda disse que, caso outra pessoa tentasse pegá-lo, poderia acabar se machucando, já que ele tentou usar as garras para se proteger. “Além de lindo, ele estava bravo”, disse. Após conseguir a captura, Roberta levou o animal até a grama, próximo a uma árvore ele ficou.

O biólogo marinho Douglas Rey dos Santos, especialista no assunto, disse que o caranguejo é da espécie Cardisoma guanhumi, também conhecido como "caranguejo da terra" ou Guaiamu. A espécie pode crescer até 15 cm e varia entre as cores azul escuro, marrom ou cinza pálido.

O especialista afirma que o crustáceo encontrado é jovem e provavelmente ainda crescerá muito mais. De acordo com Santos, a espécie costuma viver em tocas na parte superior de mangues. “Eles cavam fundo, até 2 metros [de profundidade] para o fundo da toca chegar na água”, explica.

O especialista ainda afirma que não é comum essa espécie apareça nas praias de Santos, já que a região da faixa de areia não tem qualquer manguezal nas proximidades. “Impossível ele aparecer na praia da Pompéia de forma natural”.

O biólogo Eric Comin explica que o Guaiamu é onívoro, sendo assim, ele coleta e come folhas ou frutas perto de sua toca, porém, também pode comer insetos e carniça. "Eles se movem na sombra durante o dia e evitam se mover sob luz solar direta prolongada para se alimentar à noite", afirma. Além disso, a espécie ainda é um recurso economicamente importante em várias localidades, já que é consumido na culinária pernambucana e baiana

PROIBIDO - Segundo Eric, desde maio de 2018 uma portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proíbe a captura de 25 espécies dos mares e dos rios, entre elas o Guaiamu. A medida determina que os estoques mantidos até 30 de junho daquele ano poderiam ser comercializados, sendo necessário sinalizar a autarquia sobre a posse dos animais. Em qualquer outro caso, o biólogo explica que a comercialização é proibida e quem for flagrado comercializando o crustáceo está sujeito a pagar multa de R$ 5 mil por unidade.

 

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