Terça, 25 de Agosto de 2026
18°

Tempo nublado

Santos, SP

Cidades DRAMA DO COTIDIANO

Depressivo, programador de softwere, acumula 25 gatos em quitinete;vizinhos tentam ajudar

O rapaz diz que não consegue ver gatos sofrendo e por isso recolhia todos que encontrava pela rua;hoje não pode mais

21/02/2023 às 14h15 Atualizada em 21/02/2023 às 14h30
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
Compartilhe:
Gatos acumulados em quitinete causam preocupação com doenças/Foto:Reprodução BOM DIA
Gatos acumulados em quitinete causam preocupação com doenças/Foto:Reprodução BOM DIA

"Minha situação está terrível, extrema, caótica. Eu preciso de ajuda, os gatos precisam de ajuda, o prédio precisa de ajuda. Está todo mundo sofrendo, é uma situação terrível". Este é o desabafo de um homem de 41 anos, depressivo vivendo em condições subumanas, com 25 gatos, em uma quitinete, em Praia Grande, litoral sul de São Paulo. Ele pede por ajuda mais pelos gatos que por ele mesmo.

Raphael, de 41 anos, mantém aproximadamente 25 gatos sujos e mal alimentados na quitinete onde mora.Seus vizinhos e síndico do prédio querem ajuda para a adoção do gatos e pelo rapaz que vive situação dramática. Ele foi diagnisticado com depressão profunda. Os gatos e o homem situações precárias. Sem comida, sem qualquer condição de se manter.

A síndica do edifício, que fica no bairro Vila Mirim, Raphael está no prédio desde 2017 e começou a "acumular gatos" há alguns meses. "Ele está passando por um momento difícil e já não paga o aluguel há 10 meses", disse Silvia Azarias Campnha, de 53 anos. Ela e o marido, Ariovaldo Campnha, de 69, são responsáveis pela gestão do prédio.

O casal relata que a situação começou a incomodar os vizinhos em abril de 2022, por conta do barulho dos gatos e do próprio cheiro da quitinete. Os moradores afirmam que, desde então, passaram a tentar ajudar o homem a conseguir um "destino melhor" para os animais, uma vez que, segundo eles, o tutor "não dá conta" de alimentá-los e manter os cuidados necessários em dia.

Raphael disse sofrer de depressão há décadas, mas que a doença agravou depois da pandemia. Antes ele tinha cerca de cinco gatos. Hoje, mantém mais de 25.

"Não conseguia ver o bicho sofrendo na rua e tinha que resgatar, mas, hoje em dia, não consigo mais fazer isso. Se eu levar ele para casa ele vai sofrer do mesmo jeito. Minha ideia era resgatá-los, tratá-los e levar para a adoção. Mas, a depressão não me deixou fazer nada", conta.

Com formação em programação de software, Raphael não trabalha mais na área em razão dos problemas de saúde, sendo a depressão o mais grave. "Estou fazendo bico. Trabalho todos os dias, mas não tenho mais trabalho fixo. Faço o que der para fazer para não ver os gatos passando fome, mas preciso de ajuda, principalmente com os gatos", disse.

Os condôminos querem ajudar a encontrar tutores para os gatos, mas nem Organizações Não Governamentais (ONGs) que puderiam ficar com os animais foram encontradas. As tentativas, segundo eles, incluíram ofícios para a Secretaria de Saúde, Centro de Saúde Ambiental e Ouvidoria de Praia Grande, além da Polícia Civil e Promotoria de Justiça.

Os gatos já não têm mais ração e até os potes de água estão ficam vazios. Alguns estão doentes, magros, desnutridos e alguns até  cegos. A situação é insustentável, segundo um vizinho.

A situação de Raphael é mais complicada. Ele também passa por dificuldades para se alimentar, pois não tem renda mensal garantida, além de conseguir pagar o aluguel há quase um ano. Segundo a síndica, o rapaz pode ser despejado a qualquer momento.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários