Cidades Praia Grande - SP
Representante de Praia Grande participa de conferência internacional sobre Aids
Diretor-técnico da Empes, Fábio Mesquita é referência no assunto e esteve no evento no Rio de Janeiro
07/08/2026 11h06
Por: Redaçâo Local Fonte: Prefeitura de Praia Grande - SP

 

Realizada pela primeira vez na América do Sul, a maior conferência sobre Aids do mundo ocorreu no Rio de Janeiro na última semana, reunindo os principais especialistas da área, pesquisadores, cientistas e integrantes da sociedade civil, além de lideranças da Organização Mundial da Saúde (OMS). E Praia Grande marcou presença por meio do médico Fábio Mesquita, diretor-técnico da Empresa Municipal Praia-Grandense de Ensino e Saúde (EMPES), responsável pela gestão do Complexo Hospitalar Irmã Dulce (CHID).

 

Formado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina e com doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Mesquita é reconhecido como uma das principais referências internacionais na resposta ao HIV/Aids e nas políticas de redução de danos, tendo sido coordenador de Aids na Prefeitura de Santos entre 1989 e 1996, além de ter atuado no Ministério da Saúde e, por 12 anos, na OMS, desenvolvendo, entre outras atividades, o Programa de Aids da OMS no Vietnã. Com esse currículo, o profissional se dirigiu à capital fluminense, representando a Empes e também a Unifesp – Campus Baixada Santista, entre os mais de 7.500 participantes de mais de 120 países que participaram do evento organizado pela Sociedade Internacional de Aids (IAS).

 

“Foi um privilégio participar da conferência, onde pude fazer networking e rever três dos meus ex-chefes como o Dr. Tedros Adanom (diretor-geral da OMS), o Dr. Alexandre Padilha (ministro da Saúde do Brasil) e Jarbas Barbosa (diretor da Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS). Colegas de trabalho e amigos da Indonésia, do Vietnã, de Angola, de Moçambique, do Escritório Regional da OMS no Pacífico Ocidental (WPRO, com sede nas Filipinas), da Suíça (do escritório central da OMS), mas também ativistas de todo o Brasil e do mundo, colegas profissionais de saúde de todo o Brasil, jornalistas queridos, e estudantes de Medicina da Faculdade São Judas de Cubatão. Foram muitas histórias e muitas emoções”, contou.

 

Segundo Mesquita, o evento contou com atualizações importantes acerca da Aids. “Uma delas foi um artigo do Lancet HIV, divulgado no primeiro dia da conferência, sobre um estudo que mostra que em 2040, 50% das pessoas vivendo com HIV no mundo terão mais do que 50 anos. Esta informação é chave para o que hoje é considerada uma doença crônica manejável, mostrando que cada vez mais os serviços de HIV devem interagir mais institucionalmente com serviços de outras doenças comuns em maiores de 50: como diabetes, hipertensão, colesterol aumentado ou câncer, dentre outras. Serviços isolados de IST (infecções de Transmissão Sexual) e HIV cada vez fazem menos sentido”. 

 

Outra discussão fundamental ao longo da conferência no Rio de Janeiro foi sobre a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), um método de prevenção ao HIV. “A discussão envolveu a PrEP injetável, comprimidos de longa duração e a PrEP oral (sob demanda ou de uso contínuo). Na PrEP de longa duração injetável os dois medicamentos discutidos foram o Cabotegravir (injetável, uma vez a cada dois meses) e o Lenacapavir (injetável, uma vez a cada 6 meses). Também apareceu a novidade de um comprimido de longa duração, o Alimatravir (aqui se toma uma pílula por mês e a proteção estará lá). Ficou nítido de que a pessoa que usa o medicamento para prevenção tem de ter a opção e fazer sua escolha. No Brasil temos disponível no SUS apenas a PrEP oral sob demanda (2 comprimidos duas horas antes da relação sexual e 24 e 48 horas após, totalizando 4 comprimidos), e a PrEP oral de uso contínuo (tomando medicamento neste caso todos os dias). As inovações, algumas delas já aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda não foram incorporadas ao SUS. A boa notícia é que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deu uma entrevista na conferência dizendo que o Cabotegravir será incorporado ao SUS ainda em 2026. Assim vamos aumentando as opções dos usuários”, comentou Mesquita.