Polícia TERROR EM GUARUJÁ
Bandidos sequestram casal por 12 horas e levam R$ 700 mil
O casal mora em Bertioga e sai da loja quando os sequestradores atacaram; até o cãozinho, operado, ficou no cativeiro
14/07/2023 10h51 Atualizada há 3 anos
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
O crime começou em Bertioga e o casal foi levado a um cativeiro em Guarujá/Foto: Reprodução/BOM DIA

Um casal de empresários passou por doze horas de pânico nas mãos de pelo menos onze bandidos. Os criminosos conseguiram levantar cerca de R$ 700 mil em transferências via pix. Eles chegaram a fazer até empréstimos.

Segundo relato da empresária ao g1,  ela foi sequestrada com o marido em Bertioga, no litoral sul de São Paulo. A mulher disse que foram momentos de terror psicológico que sofreu nas mãos dos criminosos. A vítima, de 48 anos, disse que até o cachorro da família foi mantido em cativeiro, enquanto os bandidos roubavam.

Os empresários foram abordados por três bandidos enquanto entravam no carro, na quarta, 5, depois de terem fechado a loja. Com o próprio veículo eles foram levados a um cativeiro, em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, onde permaneceram por 12h.

No local, haviam ao menos outros oito criminosos que ameaçavam cortar os dedos do casal e matar o casal. Durante as interações, eles teriam dito: "foi fita dada" (alguém contou sobre a rotina das vítimas)", disse a empresária, que prefere não se identificar.

“Falaram: 'foi fita dada e a gente sabe tudo de vocês, então libera, facilita e vai dar tudo certo. A gente não quer agredir nem fazer nada, mas, se não facilitar, vamos matar’”, relembrou a mulher.
Sequestro
A empresária contou que estava com o cachorro, um pinscher com basset, porque o animal passou por cirurgia e precisa de cuidados. "A gente estava conversando e eu preocupada com o cachorro porque tinha que levá-lo para tomar injeção”, contou ela, que não notou nenhuma ação estranha.


Depois que saíram da loja, mas ainda na garagem do estabelecimento, ela contou ter ido até o carro com o pet no colo. O marido abriu a porta, fechou e antes de assumir o volante os criminosos os surpreenderam. "Os três bandidos já estavam em cima da gente”, disse.

O casal e o cachorro foram colocados no banco de trás do carro com dois criminosos. De acordo com a empresária, os três estavam armados, mas a dupla no assento traseiro os mostrou um revólver e uma faca.

Durante o percurso, as vítimas foram obrigadas ficar com a cabeça abaixada. “Mandaram a gente não olhar para eles, porque, se olhássemos, eles iriam nos matar”. No meio do trajeto, os criminosos pararam o veículo para tentar efetuar transferências, sem sucesso.

"Entraram em contato com os [criminosos] de Guarujá que pediram para levar a gente para lá. Nos levaram para uma favela e passamos a noite dentro de um barraco”, afirmou a vítima.

A mulher lembrou que os criminosos diziam que só queriam o dinheiro e, por isso, não tinham agido de forma agressiva.

*CATIVEIRO* - No cativeiro, ela disse ter contado ao menos outros oito homens. Em posse dos celulares do casal os criminosos tentaram fazer transferências bancárias, mas não conseguiam pelos mecanismos de segurança dos aplicativos e por conta do horário. Foi quando disseram que passariam a noite reféns.

“A noite inteira eles falaram que iriam matar a gente, que começariam cortando os dedos. Como meu marido é descendente de japonês, eles falaram assim: 'japonês não tem medo de bala, tem medo de faca, então a gente vai matar o japonês a facadas", disse a empresária.

Ela conta que o barraco tinha apenas um cômodo e dormiu com o marido em um sofá coberto por uma manta, enquanto o cachorro dormiu no chão com um edredom.

Segundo a vítima, ela pediu um medicamento para o animal que disse que compraria, mas desistiu da ideia ao saber que se tratava de uma injeção. “Ele falou: 'sinto muito, não vou trazer um veterinário aqui, não consigo'".

Na manhã seguinte, o casal ouviu os criminosos conversando sobre o dinheiro roubado. Segundo o relato da mulher, os ladrões dividiram as transferências em diversas contas e fizeram empréstimos nos nomes dos empresários.

Pouco tempo depois, os bandidos devolveram os documentos das vítimas e as levou até o carro, na Avenida Piaçaguera. "[Um deles] mandou meu marido sentar ao volante, eu sentei atrás e mandaram a gente sair rápido".

"Eles ficaram batendo no carro para sair rápido e meu marido conseguiu arrancar”, relembrou a mulher, dizendo que o homem dirigiu até a Delegacia Bertioga, onde o boletim de ocorrência foi registrado.


*PREJUÍZO* - O casal conseguiu cancelar os empréstimos feitos e tenta ressarcir o valor perdido no crime com os bancos. Eles afirma que confiam no trabalho policial para identificar os criminosos e a pessoa que deu as informações à quadrilha.

“Quem foi é difícil falar, não tem como acusar sem provas”, ressaltou a mulher, que diz ter ficado com traumas psicológicos.