Cidades PESCADOR VERDADEIRO
Pescadores fisgam Cherne de 180 quilos e 1,70 de comprimento;não é mentira!
Uma história de pescar que não é mentirosa, mas comovente por seu fina com misto de tristeza pela morte de uma espécie importante e alegria pelo fato de famílias terem recebido a carne
26/06/2023 15h58 Atualizada há 3 anos
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
O Cherne acabou servindo para alimentar várias famílias/Foto:Arquivo pessoal

Dois pescadores de Bertioga, no litoral sul de São Paulo, contam uma história que é diferente de qualquer outra que o leitor possa ter ouvido. Eles não mentem ao contar a façanha. Foram  surpreendidos ao fisgar um peixe de cerca de 180 quilos e 1,70 de comprimento, isso depois uma "briga" quase uma hora com o animal. O peixe da espécie Cherne (Epinephelus niveatus) foi fisgado na região de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, a cerca de 40 milhas da costa, ao engolir um outro peixe que havia acabado de ser pescado e usado como isca.

 

Marcelo Lopes Rodrigues, de 33 anos, e um amigo começaram a navegar por volta das 14h de domingo,25. Algum tempo depois, ele identificou que um peixe estava preso no anzol. Com isso, começou a puxar a linha. "Eu percebi que era algo muito pesado, porque não estava vindo fácil. O cherne abocanhou o peixe, que eu pesquei, e ficou preso também", conta.

 

Segundo ele, a "briga" com o peixe durou mais de uma hora, até  que o cherne da água. "É um peixe muito brigador, que precisa de muita força. Eu e o meu amigo revezamos para conseguir colocar ele no barco, e não foi fácil", contou.

 

Por ser um peixe grande, o publicitário contou que o animal saiu de 100 metros de profundidade e veio subiu para a superfície. A pressão do ar, segundo o pescador, fez com que ele chegasse morto na embarcação. O publicitário conta que pratica a pesca há 15 anos e que nunca pegou um peixe tão grande como esse.

 

"Nós tentamos reanimar ele, mas ele já estava sem vida. Estou muito feliz por ver ele tão perto, mas triste porque eu preferia que ele ficasse vivo no fundo do mar. O cherne fica camuflado nessas áreas com cascalho e pedras grandes, justamente como uma tática para se alimentar dos peixes pardos, que são menores", diz.

 

Após levar o peixe para Bertioga, a dupla pesou e mediu o animal, que tem 180 quilos e 1,70 de comprimento. "Decidimos que vamos doar para moradores da cidade. Vamos limpar o peixe e, junto com os pescadores da cidade, distribuir para as famílias", finaliza.

 

O CHERNE - O cherne vive em águas subtropicais do Atlântico, como regiões Norte, Nordeste, e no Sudeste e Sul do Brasil, com incidência mais rara. Ele também é encontrado no Pacífico. Segundo o Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora, o corpo dele é grande, alto e comprimido. A coloração é marrom avermelhado, algumas vezes mais clara no ventre.

 

A espécie pode alcançar até dois metros de comprimento total e 380 kg. Os peixes jovens vivem em águas rasas, em costões, estuários e recifes costeiros e, à medida que crescem, dirigem-se para águas mais profundas. É um peixe voraz que se alimenta principalmente de peixes e crustáceos. A pesca amadora é mais difícil porque os grandes indivíduos habitam águas profundas. O lado feliz da história é que famílias foram contempladas com uma parte da carne do "gigante das águas".