Polícia EM MÃOS ERRADAS
Suposto colecionador de armas usa pistola para ameaçar motoboy e se esconde no apartamento
Alegando ser colecionador, caçador e atirador desportivo, o acusado fugiu para dentro de seu apartamento quando os policiais exigiram a documentação da arma usada
15/05/2023 12h55
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
Cliente exibe pistola para motoboy que foi fazer cobrança/Foto:Silvio Luíz/A Tribuna

Um cliente, que alega ser colecionador de armas,  pegou uma pistola para receber um motoboy, em Santos, no litoral sul de São Paulo, que estava trabalhando e foi fazer uma cobrança pelo Ifood após o cancelamento do pedido de um lanche. O homem é acusado de ter ameaçado o entregador. O motoboy gravou toda a cena e registrou boletim de ocorrência no 2ºDP.

 

Segundo o motoboy Wilton Fergunson dos Santos Silva, de 22 anos, o cliente comprou um lanche e um açaí por R$ 45 pelo iFood, com pagamento direto pelo aplicativo. O pedido foi feito na noite de quinta,11, e entregue pouco depois da meia-noite, já na sexta,12.

 

Wilton disse ter informado no app do iFood que havia concluído a entrega, embora esta só tenha sido processada pelo sistema às 4h29, quando o comércio já tinha fechado. Às 4h40, o cliente acionou o iFood e cancelou a compra alegando que não tinha recebido a encomenda.

 

Assim que o motoboy retornou para o trabalho, na tarde de sexta,12, o dono do comércio pediu para ele cobrar o cliente, o que aconteceu por volta das 20h. O cliente recebeu o rapaz com empunhando uma arma.

 

Wilton ressaltou que o cliente só guardou a pistola ao perceber que estava sendo filmando. Segundo o motoboy, o cliente disse que ele tinha ido à casa dele para fazer ameaça e complementou: “Tu não tá em favela não, meu amigo. Aqui as pessoas pedem e pagam a comida”, teria dito o cliente armado.

 

Ainda durante a discussão, ele chegou a bater na cintura, onde estava a pistola, e afirmou que a arma era legal. O motoboy retrucou: “Eu tô te ameaçando? Você está me ameçando e apontando uma arma na minha cara. Já tá processado já. Aqui tu meteu o louco”.

 

DIZ O CLIENTE - O cliente afirmou ter sido ameaçado e xingado pelo motoboy e que estaria acompanhado de outro entregador no momento da cobrança. Ele ressaltou que o vídeo teria sido editado para beneficiar a versão do profissional.

 

O cliente, que aparece com a pistola na mão durante o conflito com o motoboy, informou ter a documentação da arma, mas não quis informar o registro e nem dar mais detalhes sobre o assunto.

 

DIZ A PM - A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao local. O cliente disse aos policiais militares, que atenderam a ocorrência no dia da ação, que era Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Os PMs pediram para ver a documentação. Ele foi até o apartamento e, depois, se recusou a descer.

 

Os agentes foram com o motoboy até o 7º DP de Santos. A ocorrência, porém, só foi registrada no sábado,,3) e será investigada pelo 2ºDP.

 

“[Foi] querer se engrandecer ou algo do tipo e, agora, quero mostrar que todos somos iguais e temos os mesmos direitos”, disse o motoboy, que decidiu processar o cliente.

 

Após toda a confusão, o cliente pagou o açaí com uma transferência via Pix após ter sido cobrado pelo dono do estabelecimento.

 

PRESSÃO -Cerca de 40 motoboys foram para a frente da casa do homem que atendeu Wilton armado, no bairro do Marapé, no sábado (13). Eles protestaram contra o rapaz e fizeram barulho com as motocicletas. A ação foi toda organizada pelas redes sociais, após o vídeo da situação viralizar.

 

O cliente informou à reportagem que, desde a confusão na porta do prédio com Wiltom, tem recebido ameaças de grupos de motoboys.

 

 DIZ O iFOOD - Em nota, iFood disse repudiar atos de agressões físicas, ofensas ou manifestações de preconceito, assédio, bullying e incitação à violência a entregadores e entregadoras. "Após as evidências apresentadas, o cliente em questão foi banido definitivamente da plataforma".

 

A empresa ressaltou que o entregador não é cadastrado na plataforma e atua diretamente com o restaurante que utiliza uma rede própria de entregadores para o delivery.

 

"O iFood realizou contato com o estabelecimento, se colocando à disposição para realizar o acolhimento ao entregador, se necessário, além de prestar orientações sobre o registro de um boletim de ocorrência".