Cidades LAUDO X LAUDO
Laudo particular contesta oficial e afirma que executivo causou acidente com duas mortes em São Sebastião
No dia do acidente, na Rodovia Manoel Hyppolito Rego, no município de São Sebastião, litoral sul de São Paulo, a perícia oficial da Polícia Científica apontou uma série de fatos que no laudo contratado pela família são contrariados
09/05/2023 14h12 Atualizada há 3 anos
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
Croqui do perito particular detalha como o acidente ocorreu estrada São Sebastião/Rio de Janeiro/Foto:Laudo pericial

Um novo laudo sobre o acidente que matou dois jovens negros, em setembro do ano passado, coloca o CEO da Tahto - Tecnologia, Luís Ricardo Ferreira na cena como causador do acidente. O laudo da Polícia Científica que aponta culpa do jovem que pilotava uma moto foi contestado pelo Ministério Público depois que um perito contratado pela família das vítimas apresentou mais detalhes e abordagens técnicas que não constam do laudo oficial, como por exemplo, que o executivo estava trafegando na contramão com sua camionete Volvo e provocou o acidente.

 

No dia do acidente, na Rodovia Manoel Hyppolito Rego, no município de São Sebastião, litoral sul de São Paulo, a perícia oficial da Polícia Científica apontou uma série de fatos que no laudo contratado pela família são contrariados. A diferença básica e importante é que para a perícia oficial, o piloto da moto teria invadido a pista contrária, batendo de frente com a camionete do executivo Luís Ricardo Ferreira. O perito contratado apresentou o contrário: o executivo não ajudou a família com o funeral e nem prestou qualquer assistência.

 

O laudo oficial não agradou ao Ministério Público, que pediu que o caso fosse remetido à delegacia de São Sebastião para que o perito do Instituto de Criminalística fosse interpelado sobre as diferenças entre os dois laudos. O laudo oficial foi concluído com apenas 17 páginas. O perito contrato apresentou argumentos em mais de 170 páginas. O caso ainda segue sob análise. 

 

No laudo oficial, o perito aborda de forma superficial os detalhes do que encontrou no local do acidente. O laudo particular, por exemplo, detalha o que foi encontrado no local sinais de atrito dos pneus da camionete e vestígios do choque entre os dois veículos. Vidros estilhaçados, sinais de frenagem e até o retrovisor da camionete fazem parte deste laudo e análise. 

 

O perito oficial não aborda em seu laudo as condições climáticas. Já o perito particular afirma que no dia do acidente não havia problemas adversos, seja nas condições da pista ou mesmo climático. O ponto que mais chamou a atenção do Ministério Público foi quando o perito particular apresentou elementos que leva a entender que a responsabilidade pelo acidente foi do executivo da camionete Volvo.

 

 No laudo, o perito contratado não deixa dúvida quanto à causa do acidente. “Com a verificação das evidências, e tendo-se ausentes condições de falha mecânica, do meio viário, ou fatores adversos tais como climáticos ou de iluminação natural que pudessem dar origem ao sinistro, pode-se determinar que o que levou à colisão foi falha humana, com o veículo Volvo estando transitando na mão de direção contrária. Como causa determinante, pode-se afirmar que o acidente só ocorreu porque o veículo Volvo trafegava em direção contrária, situação sem a qual não teria ocorrido o acidente. Não existe uma causa inter-relacionada. No caso, a causa determinante foi o veículo Volvo estar na mão de direção contrária, em comportamento perigoso”, diz o texto. 

 

Em outro trecho do laudo, o perito afirma: "O primeiro conjunto de evidências que indica o sítio da colisão, é a quantidade de fragmentos na pista sentido Rio de Janeiro ". Mais adiante, ele aponta mais uma vez o responsável pelo acidente: "Foi o motorista do veículo Volvo XC 60, Luís Ricardo Ferreira, que colidiu frontalmente com a motocicleta, por ter invadido a faixa de direção contrária, ao tentar efetuar uma ultrapassagem", afirma categoricamente.

 

O perito particular trata em seu laudo de fragmentos de atrito no asfalto e linha de bordo que indicam que a camionete saiu de sua pista e se chocou contra a moto. No laudo oficial este assunto não é tratado der forma completa. O Ministério Público quer que o perito oficial esclareça as contradições apontadas no laudo contratado.

 

Em mais um trecho do laudo, o perito contratado aponta que testemunhas também relataram que a camionete trafegava na contramão."Algumas testemunhas relataram que o veículo Volvo XC 60 realizou sequencias de ultrapassagem", diz o texto.

 

O lado oficial diz:"Os vestígios encontrados levam a crer que a hipótese mais provável é que o automóvel trafegava no sentido CARAGUATATUBA-SUL DE SÃO SEBASTIÃO, em sua mão de direção, quando a motocicleta invadiu esta mão e colidiu contra o automóvel, dando causa ao acidente". O perito oficial não faz afirmação, prefere deixar no campo hipotético.

 

Em seu texto, sucinto, o perito da criminalística afirma que o piloto da moto teria invadido a pista contrária e provocado o acidente. “Foram encontrados no porta-luvas do veículo de placa FVA 8E82, do tipo automóvel, uma cartela parcialmente usada do remédio “citrato de sildenafila” (fotografia 18). Também foi encontrado no interior do veículo, na parte de trás, uma garrafa de bebida alcoólica que se encontrava fechada e sem uso (fotografia 19).", diz o laudo.

 

A reportagem tentou contato com o executivo da Tahto, Luís Ricardo Ferreira, acusado pela perícia de ter causado ao acidente com as duas mortes, mas eles não foi localizado até o fechamento desta reportagem. Assim que houver manifestação dele, o texto será atualizado