A Prefeitura de Santos, litoral sul de São Paulo, lançou o projeto-piloto de Adaptação Baseado em Ecossistema (ABE), para enfrentar as mudanças climáticas que afetam a região, especialmente em áreas de risco. Exemplo disso é a mobilização da população do Monte Serrat, que já promoveu reunião para debater o tema.
O objetivo do trabalho, desenvolvido pela Seção de Mudanças Climáticas (Seclima) da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Defesa Civil e participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Registro é recuperar áreas de risco e garantir que elas não sejam reocupadas por moradias, mas ainda assim contribuam para o bem-estar da população.
“De alguma maneira, queremos que essas áreas continuem contribuindo para o bem-estar da população do Monte Serrat e do entorno”, explica a engenheira agrônoma da Seclima, Greice Pedro.
A Sociedade de Melhoramentos do bairro foi o ponto de encontro para a oficina com os moradores do Morro. Eles puderam acompanhar explicações sobre conceitos gerais, a metodologia a ser utilizada, como soluções e adaptação baseadas em ecossistemas, e ainda receberam informações atualizadas sobre as mudanças climáticas e os eventos extremos cada vez mais frequentes.
A oficina se insere nos princípios do Plano de Ação Climática de Santos, que está focado em pensar na resiliência e na adaptação das pessoas frente a esses eventos extremos. E para isso, é importante que as comunidades participem ativamente e se conscientizem da importância de utilizar essas áreas de forma consciente, sem utilizá-las como moradia.
“Para as comunidades, é importante que tenham esta consciência e que nos ajudem a pensar em como podemos utilizar essas áreas, não como moradia, mas mesmo assim como algo especial para os moradores dos morros”, acrescenta Greice.
O vice-presidente da Sociedade de Melhoramento de Bairro do Monte Serrat, Arquimedes da Silva Machado, destaca a participação da comunidade como fundamental para pensar não apenas na questão ambiental, mas como ser beneficiada com uma visão mais sustentável.
“A comunidade precisa ser envolvida na criação e dar o ‘pitaco’, colocando sua visão mediante as possibilidades que o projeto pode vir a oferecer. Trata-se de um projeto de adaptação do ecossistema e é adaptável às reivindicações do morador. Estamos falando de turismo ambiental, de horta comunitária, e geração de emprego e renda. E esta troca é valiosa para uma comunidade periférica. O Monte Serrat pode ser reconstruído. O histórico de deslizamento pode ser mudado através do reflorestamento da encosta através do morador. Isso é pertencimento”.