Cidades PRECONCEITO NA REDE
Mulher diz odiar homossexuais e que eles devem "queimar";ela ainda deprecia obesos
A Ordem dos Advigados de Bertioga já fez a denúncia contra Karla Mattos no MP; mulher admite postagens e afirma ser bissexual
10/03/2023 10h15 Atualizada há 3 anos
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
Postagens gordofóbicas, misóginas, LGBTfóbicas de Karla Mattos/Foto:Reprodução/BOM DIA

A  Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bertioga, litoral sul de São Paulo, denunciou Karla  Mattos, ao Ministério Público (MP), por postagens preconceituosas em suas redes sociais. No início, a acusação era de LGBTfobia, pois ela postou mensagens e imagens em tom de discriminação e ódio. Em uma de suas frases, a mulher sugere queimar homossexuais. "Eu odeio bissexuais. Eu odeio homossexuais. Odeio essa galera. Por mim, tinham que sumir do planeta, pois nasceram com alguma coisa errada no cérebro. [...] É nojento. Essa galera tinha que queimar", disse. Ela se diz bissexual.

 

Além de LGBTfobia, a mulher, agora, em novas postagens, ataca pessoas obesas. Ela é acusada de publicar vários vídeos nas redes sociais ofendendo a comunidade LGBTQIA+ também compartilhou diversas postagens de caráter gordofóbico e misógino, segundo a subseção OAB. Tais conteúdos republicados por Karla Mattos na internet, obtidos pelo g1 nesta sexta-feira (10), têm como foco atingir pessoas acima do peso, sobretudo, mulheres.

 

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP)informou que já oficiou a autoridade policial para que apurar a denúncia adotar as medidas legais. Os vídeos foram publicados pela mulher no dia 26 de fevereiro, mas a Comissão da Diversidade Sexual e Gênero, que faz parte da subseção da OAB no município, foi informada sobre o ocorrido no início deste mês.

 

A mulher fez postagens que expressão sentimento de ódio e depreciação às pessoas obesas.Ela postouilustrações de mulheres obesas em situações constragedoras, como "atrapalhando" a decolagem de um avião por conta do peso e ameaçando processar pessoas que "falem a verdade", ou seja, que critiquem o corpo dela.

 

Os ataques da mulher são agressivos e causam revolta nas redes sociais. Ela divulgou imagem sobre a aeronave que na sua opinião não decola por causa de um mulher obesas. Ela chegou a escrever que "essa imagem é tão pesada que travou meu celular". Ela nega que suas postagens são gordofóbicas, LGBTfóbicas e misóginas.

 

"Nas postagens, acho que não tem nada [errado] ali. São repostagens de uma página. Não significa nada, absolutamente nada. São 'memes'", afirmou a mulher,ao g1, sobre as acusações de gordofobia e misoginia.

 

A subseção da OAB em Bertioga, em nota, manifesta sua indignação e "repúdio em relação às manifestações e postagens" divulgadas pela mulher na rede social Instagram. Segundo a entidade, os conteúdos possuem "caráter LGBTfóbico, Misógino e Gordofóbico".

 

Nos vídeos, a mulher aparece ofendendo a comunidade LGBTQIA+ em diversos momentos. Ela confirma ter divulgado os conteúdos, mas alega que foram "editados" e "tirados de contexto" por terceiros. Ela disse, ainda, que é bissexual e fez as postagens após uma briga com a namorada.

 

"Eu odeio bissexuais. Eu odeio homossexuais. Odeio essa galera. Por mim, tinham que sumir do planeta, pois nasceram com alguma coisa errada no cérebro. [...] É nojento. Essa galera tinha que queimar", disse a mulher, em trechos dos vídeos obtidos pela reportagem.

 

Ela relata que um homem com quem se relaciona teria aparecido em uma foto, publicada nas redes sociais, segurando as nádegas de outra mulher, que seria lésbica.

 

"Ela vive na praia com um cara que eu 'dou uns beijinhos' às vezes. Para mim, é lésbica e nem olha para homem. Do nada, posta uma foto com o cara segurando na bunda dela. [...] Não dá para entender. Para mim, é inaceitável essa galera. Não tenho nem raiva dos homossexuais, das lésbicas assumidas, o que me irrita é essa galera que se diz bissexual, pois 'o golpe' vem de todos os lados", disse.

 

Sobre as acusações de LGBTfobia, a mulher questionou. "Como posso ser homofóbica se tenho uma namorada? Sou bissexual. Não estou entendendo do que estou sendo acusada". Ela disse, ainda, que não teve o desejo de ofender a comunidade LGBTQIA+. "Em nenhum momento quis agredir gays e lésbicas. Até porque faço parte desse time", justificou.

 

Para a OAB afirma que a liberdade de expressão não é licença para ferir a existência. "A liberdade de expressão é um direito constitucional basilar do Estado Democrático de Direito, entretanto, não se pode interpretar que o seu exercício seja uma licença para expor pensamentos que ferem o próprio direito à liberdade e existência – no caso em tela, a liberdade de ser quem você é, a livre orientação sexual e identidade de gênero", diz a nota.

 

A enteiddade afuirma, ainda, que "desde 2019 as manifestações de ordem preconceituosas ou discriminatórias contra população LGBTQIAP+ foram equiparadas ao crime de racismo previsto na Lei 7.716/1989".