A saída de uma garota de cinco anos, com Transtorno do Espctro Autista (TEA), de uma escola da rede pública municipal de Santos, litoral sul de São Paulo, sem um responsável, está sob investigação por uma comissão designada pela Secretaria da Educação (Seduc). A menina deixou o prdio da escola Leonar Mendes de Barros.
Uma mulher de 21 anos chegou a ser acusada de ter levado a menina junto com sua filha de 4 anos. Ela nega e contra-ataca afirmando que a Prefeitura está com "história inventada". A jovem mãe tem o apoio da mãe da garota de "escapou" da escola. Elas dizem que Prefeitura quer arrumar um culpado.
A Prefeitura de Santos informou, em nota, que em nenhum momento, eximiu a responsabilidade da escola em relação à aluna e, conforme informado, um dia após o ocorrido, a apuração inicial, baseada em depoimentos, apontou que a menina teria saído da unidade acompanhada da mãe de uma colega de classe. Ocorre que a garota que "escapou" não estuda na mesma classe da filha da mulher acusada.
"Parece que foi toda uma história elaborada para tentar tirar toda a culpa da escola e da prefeitura, que é culpada por não ter tantos professores também", disse a mãe de 21 anos.
Segundo a mulher, ela saiu rapidamente da escola com a filha, pois, na sexta-feira (17), as crianças deveriam ir fantasiadas à unidade, e ela ainda não havia providenciado a roupa para a filha, de 4 anos.
Enquanto saia, ela contou que uma outra mãe de aluno apareceu com a criança que havia escapado. "Ela me parou, pediu desculpas e disse que minha filha quase tinha sido atropelada. Falei que minha filha estava segurando minha mão", apurou o g1.
As duas então perguntaram para a garota que tinha 'escapado' com quem ela estava, mas a criança não soube responder. Diante dessa situação, a menina foi levada à escola, onde acabou encontrando a mãe, a autônoma Yasmin de Campos Fonseca, de 25 anos.
A mulher disse poder imaginar como Yasmin está abalada. "A partir do momento que a prefeitura falou que eu tirei a menina da escola, eu chamei a mãe dela para conversar e explicar certinho o que aconteceu. Se fosse com a minha filha eu nem sei o que faria, mas acho que faria o mesmo que ela".
ACIDENTE -Ainda de acordo com a mulher, a filha estuda há três semanas na escola e já se machucou. "[A menina] falou para mim que uma professora estava brincando com outras crianças enquanto a outra [docente] estava conversando e minha filha estava sozinha [no balanço]".
A criança fez um corte no nariz, mas, segundo a mãe, não foi profundo. "Me ligaram para buscar ela. A gente achou estranho, por que uma [criança] sozinha? Não levei no médico porque não foi nada grave, mas poderia ter sido".
INDIGANADA - Segundo apuração do g1, a autônoma Yasmin de Campos Fonseca, de 25 anos, e mãe da criança com autismo que 'escapou' da escola, disse que ficou surpresa e indignada ao receber o posicionamento da administração municipal. "Achei um absurdo total. Me deu uma crise de ansiedade na hora que vi".
Segundo Yasmin, a prefeitura está tentando culpar terceiros e amenizar o caso. "Como eles sabem disso? Tem vídeo? Tem câmera? Imagens? Em nenhum momento eles me chamaram. Minha filha não é autorizada a sair com ninguém além das pessoas que estão na ficha de matrícula dela".
DIA A PREFEITURA - A Prefeitura ratificou que lamenta profundamente a saída da menina da escola sem a presença dos responsáveis legais e que todas as providências cabíveis já foram tomadas, além de uma sindicância que irá investigar a fundo o caso.
A Secretaria de Educação informou que todas as 86 escolas municipais atendem plenamente a recomendação do MEC em relação às diretrizes de educação inclusiva. Na escola citada, além dos professores, há 18 profissionais de apoio escolar inclusivo (PAEIs), sendo nove para cada período.
Em relação ao acidente da criança no balanço, a direção da unidade informou que a aluna matriculou-se neste ano letivo e que, desde o início das aulas, não houve nenhum acidente com a criança dentro da escola.