Polícia OUTRA VÍTIMA
Casal de ladrões "cinematográfico" havia sequestrado motorista de aplicativo no mesmo shopping
Motorista de App passou por três horas de terror nas mãos do casal de assaltantes que fez vendora refém;"ibope" do roubo rendeu mais uma acusação
09/02/2023 05h46 Atualizada há 3 anos
Por: Redaçâo Local Fonte: Jair Viana
Depois do "ibope", casal de ladrões é preso e escoltado por policiais do Gate da PM/Foto:Alexsander Ferraz-A Tribuna

O casal de assaltantes, Felipe Gustavo de Souza, 27 e sua namorada, Ester Neri Oliveira,28, que protagonizou cenas de um roubo com transmissão ao vivo pela internet e "exigência por ibope", na última terça,08, em um shopping, em Praia Grande, litoral sul de São Paulo, também submeteu um motorista de aplicativo a três horas de puro terror. A dupla foi presa, depois da tentativa frustrada de roubo ao shopping, mantendo uma refém sob a mira de uma arma.

 

O motorista de aplicativo que não quer ser identificado por segurança, disse ter sido sequestrado e roubado pelo casal que manteve uma funcionária da joalheria Vivara refém dentro da Pernambucanas, na noite de terça. O homem identificou a dupla ao assistir as imagens do crime. Segundo a vítima, que preferiu não se identificar, ela foi ameaçada por três horas e ainda teve os pertences e o carro roubados.

 

O motorista disse ter atendido uma chamada para uma corrida, na última sexta,3, no estacionamento do mesmo shopping, onde, dias depois, foram presos pela tentativa de roubo à joalheria e por manter a vendora da loja refém por quase duas horas.

 

"Eles estavam super bem vestidos e quando entraram no carro até trocaram carícias". Ele buscou a dupla por volta das 19h e ao se aproximar do bairro Balneário Flórida Mirim, em Mongaguá, a o casal anunciou o assalto.

 

O motorista disse que os criminosos fizeram ameaça o tempo todo . "Fiquei três horas com uma arma [apontada] na minha cabeça. O rapaz dizia que se eu fosse à polícia eu morreria. A mulher dizia: "perdeu, perdeu, perdeu". 

 

Os ladrões mandaram o motorista entrar em uma estrada de terra, onde o veículo foi parado. Ele lembra que estava no meio do mato e a mulher o revistava. "Ela repetia que eu ia morrer e para eu não falar nada".

 

O celular e um valor em dinheiro, que não foi divulgado, foram roubados. Na sequência a dupla  libertou a vítima. "Eles mandaram eu sair correndo e não olhar pra trás. Foi o que fiz. Eles foram embora levando meu carro".

 

RECUPERADO - Depois  ser libertado pelos criminosos, o motorista disse ter parado em uma casa, no meio da estrada de terra. "Expliquei o que tinha acontecido e uma mulher, a mulher que estava no imóvel ligou pra polícia".

 

De acordo com ele, não demorou para uma viatura chegar ao local e registrar a ocorrência. "Passei a discrição da dupla, a roupa, a placa do carro e como tudo aconteceu. Eles [policiais] começaram as buscas na área".

 

Segundo o motorista, o carro foi encontrado cerca 20 minutos depois de ele ter informado para a policia o ocorrido. "Apesar de terem levado coisas materiais, o susto não passa. Eu fiquei o final de semana em casa, não tinha coragem de sair. Não desejo que ninguém passe por isso. Ainda bem que os encontraram".

 

FICHA CRIMINALFelipe Gustavo Aquino de Souza, de 26 anos, teria atirado seis vezes na mulher, de 25, na capital paulista, em dezembro de 2022.Ele era um foragido procurado pela polícia. A Justiça já tinha decretado sua prisão preventiva.

O crime teria acontecido no portão da casa onde Felipe morava, na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, por volta das 13h50 do último dia 19 de dezembro. 

Segundo o registro policial na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM-Norte), após ser baleada a vítima deu entrada no Hospital Geral de Taipas. Ela não resistiu e morreu. 

O motivo do crime não foi esclarecido.Em fevereiro do ano passado, a mulher chegou a registrar um boletim de ocorrência por violência doméstica que seria resultado de uma crise ciúme de Felipe. O casal conviveu por cinco anos e teve dois filhos.

A TV Tribuna, emissora afiliada à Rede Globo, teve acesso ao histórico criminal de Felipe. Ele teria cometido o primeiro crime em 2013, quando tinha apenas 15 anos. Ele participou do um roubo de um carro junto com outro adolescente.

Três anos depois, quando tinha 18, ele foi preso e condenado a cinco anos e meio de detenção por participar de organização criminosa, roubar e corromper menores de idade.