O casal de assaltantes, Felipe Gustavo de Souza, 27 e sua namorada, Ester Neri Oliveira,28, que protagonizou cenas de um roubo com transmissão ao vivo pela internet e "exigência por ibope", na última terça,08, em um shopping, em Praia Grande, litoral sul de São Paulo, também submeteu um motorista de aplicativo a três horas de puro terror. A dupla foi presa, depois da tentativa frustrada de roubo ao shopping, mantendo uma refém sob a mira de uma arma.
O motorista de aplicativo que não quer ser identificado por segurança, disse ter sido sequestrado e roubado pelo casal que manteve uma funcionária da joalheria Vivara refém dentro da Pernambucanas, na noite de terça. O homem identificou a dupla ao assistir as imagens do crime. Segundo a vítima, que preferiu não se identificar, ela foi ameaçada por três horas e ainda teve os pertences e o carro roubados.
O motorista disse ter atendido uma chamada para uma corrida, na última sexta,3, no estacionamento do mesmo shopping, onde, dias depois, foram presos pela tentativa de roubo à joalheria e por manter a vendora da loja refém por quase duas horas.
"Eles estavam super bem vestidos e quando entraram no carro até trocaram carícias". Ele buscou a dupla por volta das 19h e ao se aproximar do bairro Balneário Flórida Mirim, em Mongaguá, a o casal anunciou o assalto.
O motorista disse que os criminosos fizeram ameaça o tempo todo . "Fiquei três horas com uma arma [apontada] na minha cabeça. O rapaz dizia que se eu fosse à polícia eu morreria. A mulher dizia: "perdeu, perdeu, perdeu".
Os ladrões mandaram o motorista entrar em uma estrada de terra, onde o veículo foi parado. Ele lembra que estava no meio do mato e a mulher o revistava. "Ela repetia que eu ia morrer e para eu não falar nada".
O celular e um valor em dinheiro, que não foi divulgado, foram roubados. Na sequência a dupla libertou a vítima. "Eles mandaram eu sair correndo e não olhar pra trás. Foi o que fiz. Eles foram embora levando meu carro".
RECUPERADO - Depois ser libertado pelos criminosos, o motorista disse ter parado em uma casa, no meio da estrada de terra. "Expliquei o que tinha acontecido e uma mulher, a mulher que estava no imóvel ligou pra polícia".
De acordo com ele, não demorou para uma viatura chegar ao local e registrar a ocorrência. "Passei a discrição da dupla, a roupa, a placa do carro e como tudo aconteceu. Eles [policiais] começaram as buscas na área".
Segundo o motorista, o carro foi encontrado cerca 20 minutos depois de ele ter informado para a policia o ocorrido. "Apesar de terem levado coisas materiais, o susto não passa. Eu fiquei o final de semana em casa, não tinha coragem de sair. Não desejo que ninguém passe por isso. Ainda bem que os encontraram".
FICHA CRIMINAL - Felipe Gustavo Aquino de Souza, de 26 anos, teria atirado seis vezes na mulher, de 25, na capital paulista, em dezembro de 2022.Ele era um foragido procurado pela polícia. A Justiça já tinha decretado sua prisão preventiva.
O crime teria acontecido no portão da casa onde Felipe morava, na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, por volta das 13h50 do último dia 19 de dezembro.
Segundo o registro policial na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM-Norte), após ser baleada a vítima deu entrada no Hospital Geral de Taipas. Ela não resistiu e morreu.
O motivo do crime não foi esclarecido.Em fevereiro do ano passado, a mulher chegou a registrar um boletim de ocorrência por violência doméstica que seria resultado de uma crise ciúme de Felipe. O casal conviveu por cinco anos e teve dois filhos.
A TV Tribuna, emissora afiliada à Rede Globo, teve acesso ao histórico criminal de Felipe. Ele teria cometido o primeiro crime em 2013, quando tinha apenas 15 anos. Ele participou do um roubo de um carro junto com outro adolescente.
Três anos depois, quando tinha 18, ele foi preso e condenado a cinco anos e meio de detenção por participar de organização criminosa, roubar e corromper menores de idade.